“Definimo-nos como um parceiro fundamental na criação dos espaços do futuro”
Pablo Maroto possui uma sólida formação académica, que inclui uma licenciatura em Engenharia de Construção pela Universidade Europeia de Madrid, um mestrado em Gestão da Qualidade nas Empresas e um MBA pelo Colégio de Engenheiros de Barcelona. Além disso, frequentou um curso de pós-graduação em Sustentabilidade e Arquitetura na Escola Sert do COAC, consolidando a sua experiência no setor da construção e da sustentabilidade.
Atualmente, Pablo é membro ativo dos Comités Técnicos CTN 198 de Construção Sustentável e CTN 171 de Qualidade Ambiental em Interiores, onde contribui com a sua experiência e visão para promover a sustentabilidade e a eficiência no setor.
Como nos apresentaria a Knauf?
A Knauf é muito mais do que um fabricante líder de materiais de construção. Definimo-nos como um parceiro fundamental na criação dos espaços do futuro: espaços que sejam sustentáveis, saudáveis, seguros e confortáveis para as pessoas.
A nossa especialidade são as placas de gesso laminado (PYL) e os sistemas inovadores de construção a seco. Com eles, oferecemos ao setor da construção soluções leves e de alto desempenho para todo o tipo de aplicações, seja em fachadas, divisórias, tetos ou pisos.
Mas o que realmente define um produto Knauf são os benefícios que proporciona. Falamos de garantir uma eficiência energética ótima, de criar um conforto acústico excecional, de oferecer a máxima segurança com proteção contra o fogo ou impactos, e tudo isso, proporcionando total liberdade de design aos arquitetos e designers de interiores.
Há alguma inovação ou novidade de produto prevista para breve?
A inovação constante é um pilar fundamental para a Knauf. Nessa linha, no ano passado apresentámos uma evolução significativa do nosso produto de referência: a nova placa Standard da Knauf. O desenvolvimento deste produto baseia-se numa análise rigorosa das necessidades do mercado.
Foi realizado um estudo detalhado com cerca de 500 profissionais de instalação na Península Ibérica, cujas conclusões indicaram uma procura clara por placas com maior resistência, peso mais reduzido e maior facilidade de manuseamento. A nova placa Standard responde diretamente a estas exigências.
Através de uma nova tecnologia de fabrico, conseguiu-se um produto com bordas e cantos reforçados, o que minimiza as quebras durante o transporte e a manipulação. Além disso, a sua fórmula otimizada reduz significativamente o peso, o que se traduz numa melhoria da ergonomía para o instalador e numa otimização dos processos na obra.
Este lançamento representa um avanço importante em dois dos nossos eixos estratégicos: a inovação orientada para o cliente e a sustentabilidade. A redução de peso não só traz as vantagens mencionadas, como também contribui para otimizar a logística e, consequentemente, para reducir a pegada de carbono associada ao transporte. Demonstra o nosso compromisso em desenvolver soluções de alto desempenho que sejam, por sua vez, mais sustentáveis.
Como avalia a situação atual da renovação e reabilitação em Portugal? Ainda há muito a fazer?
A reabilitação energética em Portugal atravessa uma fase de clara aceleração, impulsionada por um quadro normativo alinhado com os objetivos climáticos europeus e por uma forte disponibilidade de financiamento, especialmente proveniente de fundos comunitários.
No entanto, apesar destes avanços, o ritmo de intervenção continua a ser insuficiente fase à magnitude de um parque imobiliário envelhecido e altamente ineficiente. A fragmentação dos programas de apoio, a complexidade administrativa, os custos iniciais e as dificuldades associadas à propriedade coletiva continuam a limitar a sua implementação. Em conjunto, Portugal dispõe hoje dos instrumentos essenciais para transformar o seu parque imobiliário, mas o verdadeiro desafio reside em ampliar e agilizar a execução para cumprir os objetivos de descarbonização nos prazos estabelecidos.
Será que temos consciência suficiente da importância da sustentabilidade e do respeito pelo ambiente ao abordarmos projetos de remodelação e reabilitação?
Em Portugal, existe hoje uma consciência crescente sobre a importância da sustentabilidade em projetos de reabilitação e remodelação, impulsionada pela legislação europeia e ampliamente assumida no discurso arquitetónico.
No entanto, esta consciência não se traduz de forma homogénea na prática: muitas intervenções continuam a dar prioridade ao custo e à rapidez em detrimento de uma visão integral e energética do edifício, especialmente em contextos de pressão imobiliária. Assim, mais do que um problema de sensibilização, o desafio atual é a capacidade real de implementação, ainda limitada por barreiras económicas, administrativas e culturais.
Acha que é necessário sensibilizar um pouco o cliente final para a importância de um bom isolamento térmico e acústico?
Não se trata apenas de ser necessário sensibilizar um pouco o cliente final, mas sim de ser fundamental fazêlo.
E os dados do nosso estudo são conclusivos a este respeito. Estamos perante um paradoxo: enquanto 75% dos espanhóis identificam o custo como o principal obstáculo à reabilitação, 79% desconhecem a existência de fundos públicos e ajudas destinados precisamente a mitigar esse obstáculo económico.
Além disso, 45% dos cidadãos admitem que falta informação e 44% consideram o processo demasiadocomplexo. Isto demonstra que éimperativo realizar um trabalho de sensibilização. Não se trata apenas de explicar as características técnicas de um bom isolamento, mas de comunicar de forma clara e tangível os benefícios diretos que este acarreta em termos de poupança económica, melhoria da saúde e aumento do conforto e do valor do imóvel, tal como salientam os especialistas que colaboraram no nosso relatório.

“Na Knauf, enfrentamos este desafio assumindo a nossa responsabilidade enquanto protagonista do setor”
Como é que a Knauf aborda esta questão?
Na Knauf, enfrentamos este desafio assumindo a nossa responsabilidade enquanto protagonista do setor. Por um lado, o nosso contributo mais fundamental passa pelo produto.
Desenvolvemos e fabricamos soluções construtivas, como os sistemas de placas de gesso laminado e de construção em seco, que permitem realizar estas reabilitações energéticas de forma eficiente, garantindo o isolamento e o conforto exigidos pela nova regulamentação e pela sociedade.
Por outro lado, assumimos um papel ativo na geração e divulgação de conhecimento. O estudo que temos vindo a referir é o exemplo mais claro. Através do nosso «Fórum Construindo Juntos», não procuramos apenas diagnosticar a situação e identificar as barreiras, mas também disponibilizar esses dados à sociedade e aos profissionais para impulsionar a tomada de consciência e a ação.
Qual deve ser o papel da distribuição neste novo contexto do futuro?
O papel da distribuição é absolutamente fundamental no contexto atual e futuro. Na nossa perspetiva, na Knauf, não a consideramos um mero intermediário, mas sim um parceiro estratégico esencial para enfrentar os desafios da reabilitação e da construção sustentável.
Algumas considerações finais para partilhar com todos os profissionais do setor.
É importante salientar que o setor da construção civil atravessa um momento de profunda transformação. A chave reside em encarar os grandes desafios -sustentabilidade, industrialização, escassez de mão de obra ou regulamentação exigente- não como obstáculos, mas como verdadeiros motores de mudança que impulsionarão a evolução do próprio setor.
As exigências em matéria de sustentabilidade, por exemplo, são uma oportunidade para construir edifícios de maior qualidade e valor acrescentado.
A necessidade de industrializar os processos é o camino para alcançar maior eficiência, segurança e produtividade através de sistemas mais inteligentes. Cada novo desafio normativo é um convite à inovação.
Em suma, apresenta-se uma oportunidade histórica para a profissionalização do setor e para demonstrar à sociedade o valor essencial que a construção civil traz. O compromisso da Knauf é atuar como um parceiro nesta jornada, colaborando com cada profissional para transformar estes desafios num sucesso partilhado.
Ver desenho da entrevista – Jornal dos Armazens 23