Ramon Capdevila, Diretor de Jornal dos Armazéns
Chegou o momento. A OBRAMAT avança com a abertura do seu primeiro armazém em Portugal, localizado em Carnaxide (zona comercial de Alfragide), prevista para o final do primeiro trimestre deste ano. Este armazém é o maior da empresa até hoje, com uma área de vendas de mais de 10 000 m² (6100 m² de vendas internas e 3800 m² de vendas externas), além de um espaço logístico de aproximadamente 7000 m². Segundo comunicado da própria empresa, este novo armazém oferecerá mais de 20 000 referências com stock garantido, e está estruturado em nove grandes seções: materiais de construção, madeira, ferramentas, ferragens, eletricidade, sanitários, canalização–aquecimento, cerâmica e tintas.
Pois esta é a carta de apresentação da empresa que em breve desembarcará em Portugal. Já publiquei os dados da OBRAMAT em Espanha no final do ano passado: 38 pontos de venda e uma faturação de 1 736 762 677 milhões de euros em 2023. É possível que em 2024 chegue a quase dois bilhões. Estes dados falam por si e mostram, entre outras coisas, que em Espanha eles estão a ganhar uma quota de mercado muito importante, o que, além disso, afeta os preços, causando uma redução muito significativa nas margens dos preços de venda dos armazéns. Este é o cenário. Obviamente, os armazéns que poderão ser mais afetados serão aqueles localizados próximos às áreas de implantação da OBRAMAT.
Perante esta situação, e voltando mais uma vez à experiência do que ocorreu no país vizinho, ficou demonstrado que uma das armas que a distribuição tradicional tem para enfrentar esta ameaça é a união. Ou seja, os grupos de compras. Sem dúvida. Como já diz o velho provérbio africano: “se queres ir rápido, vai sozinho; se queres ir longe, vai acompanhado.”
O mercado atual já não é um mercado baseado na procura como foi até 2008, agora estamos num mercado baseado na oferta, onde quem manda, mais do que nunca, é o cliente. É por isso que é necessário que os armazéns de materiais de construção estejam muito focados no cliente e, para isso, a velocidade na tomada de decisões e na execução de planos ou definição de estratégias é determinante. E nisto, além de negociar para melhorar as condições de compra com os fornecedores, os grupos de compras podem ser determinantes.
Sem dúvida, no futuro setor da distribuição de materiais de construção, os grupos de compras serão decisivos na luta para manter uma quota de mercado consolidada contra as ameaças (grandes superfícies, vendas online, etc.) que acabam de começar.